terça-feira, 5 de abril de 2016

EU BEBO A VIDA, A VIDA, A LONGOS TRAGOS*, SONETO DE FLORBELA ESPANCA






EU BEBO A VIDA, A VIDA, A LONGOS TRAGOS


Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Pousando em ti o meu amor eterno
Como pousam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A vida, meu Amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… 
As nossas bocas juntas!…





2 comentários:

Daniel Costa disse...

Renata Maria
Um destes sonetos, será sempre belo e atual. A poesia pode enaltecer o mundo, sempre balbuciando: "que me importa o mundo". É ele que deve procurar a voz da poesia, para o dignificar.
Reportando-me ao teu comentário: Até livre tradução já fiz, pelo menos duas línguas verti para português.
Abraço

rosa-branca disse...

Olá amiga Renata, lindo soneto, que amei demais. Beijos com carinho