segunda-feira, 25 de abril de 2016

AS ROSAS DE ISPAÃ, SONETO DE CHARLES LECONTE DE LISLE




AS ROSAS DE ISPAÃ(1)



Charles Leconte De Lisle (1818-1894)



As rosas de Ispaã na bainha musgosa,

Os jasmins de Mossul (2), a flor da laranjeira

Ah, fragrância não têm suave e tão ditosa,

Ó branca Leila, como a tua aura ligeira!



Lábios corais, soando a risada ligeira

Bem melhor que a água viva, e com voz mais ditosa,

Bem melhor que o ar feliz que embala a laranjeira,

Que a ave que canta ao lar na bainha musgosa...



Mas desde que fugiu, com sua asa ligeira,

O beijo dessa boca encarnada e ditosa,

Perfume já não há na tênue laranjeira,

E nem celeste odor nas bainhas musgosas...



Que o teu jovem amor, borboleta ligeira,

Volte ao meu coração, com sua asa ditosa,

E que perfume ainda a flor da laranjeira,

As rosas de Ispaã na bainha musgosa!


Trad. de Renata Cordeiro




(1) Este poema de Leconte de Lisle é uma homenagem à clássica história de amor da literatura persa, escrita por Nizami (1140-c.1203), chamada Leila e Majnun. Também Eric Clapton compôs a canção Layla em homenagem a essa história de amor.

(2) Ispaã se situa no atual Irã e Mossul no Iraque.





2 comentários:

Armando Sena disse...

E do céu cairão nacos de poesia.
bj

rosa-branca disse...

Olá amiga Renata, um soneto maravilhoso e música também muito boa. Adorei. Beijos com carinho