quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

FELICIDADE, POEMA DE MANOEL BANDEIRA

FELICIDADE


A doce tarde morre. E tão mansa

Ela esmorece,

Tão lentamente no céu de prece,

Que assim parece, toda repouso,

Como um suspiro de extinto gozo

De uma profunda, longa esperança

Que, enfim cumprida, morre, descansa…

E enquanto a mansa tarde agoniza,

Por entre a névoa fria do mar

Toda minh´alma foge na brisa:

Tenho vontade de me matar!

Oh, ter vontade de se matar…

Bem sei é cousa que não se diz,

Que mais a vida me pode dar?

Sou tão feliz!

— Vem, noite mansa…


2 comentários:

Daniel Costa disse...

Renata, a mansidão pode pressupor felicidade. Bem vistas as coisas o poema pode fazer pressupor isso mesmo.
Beijos

MARILENE disse...

Você faz escolhas que aplaudo. Um magnífico poema. Bjs.