segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PENÉLOPE






PENÉLOPE

Ela só dá ponto sem nó
Tece minutos, tece horas
Tece anos, tece amor
Amor tecido ter sido
Amortecida toda ela
A morte em vida
À espera
Os deuses fazem desfazem
Os heróis luzem grandes feitos
E das mulheres o que foi feito?
Um ponto de lágrima
Um ponto de cruz
Um ponto de esperança
Penélope não se cansa
Gira a roda e se enrosca
Nas malhas do destino
A felicidade por um fio?
Desmancha de noite
O trabalho do dia
Pálida presença na Odisseia
Não mereceriam
As mil provas de agonia
Em vez de cantos ao recato
O reverso do verso
De uma Penelopeia?

@ Renata Cordeiro

6 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Não sei se não somos nós as culpadas de tudo o que nos acontece. Afinal somos nós que parimos os homens e somos nós (salvo raras excepções ) que os educamos. Porque não lhe inculcamos no espirito o respeito por nós?
Um abraço

MARILENE disse...

Bela música, escolheu.
De ponto em ponto, desmanchando refazendo, vai ela tecendo. E quando menos esperam, ela dá suporte a todas as construções, com suavidade e maestria. Um poema encantador. Bjs.

Evanir disse...

Estou muito feliz em poder
passar no seu blog hoje depois
desse afastamento ..
Saudades..muitas me perdoe não
comentar sua magnifica postagem,
porém li e estou levando no meu coração...
Acredite você é muito importante
na minha vida.
Desejo um abençoado final de semana.
Beijos no coração.
Evanir.
Renatinha que show de poesia!

Daniel Costa disse...

Renata

Que poema, que ritmo!
De extraordinária beleza é o poema.
parabéns amiga.
Beijos

Filha do Rei disse...

Renata, que lindo! Amei conhecer o teu cantinho. Bjs

Maria Rodrigues disse...

Nostálgico e belo.
Como se costuma dizer "por detrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher" a questão triste, é que a maior parte das vezes dessas e de outras Grandes mulheres quase que nem se fala.
Beijinhos
Maria