sábado, 7 de junho de 2014

ENCANTAVAS-ME, IRMÃ,..., POEMA DE LÉVI IBN MAR SHAUL (Século XI)





ENCANTAVAS-ME, IRMÃ,..., POEMA DE LÉVI IBN MAR SHAUL (Século XI)


Encantavas-me, irmã, voltada, em sentinela,
A Damasco! No olhar as aguilhoadelas...
Na boca a rubra fita
[1]... E que langue era ela,
Ó minh’alma! Eu gritava: - E quem é a donzela,
Que se apruma, surgindo igual à aurora bela?
[2]

– Separei-me e parti, e sem estar pintada
Nos meus olhos azuis... Outrora, desvairada,
Eu corria, eu voava, assim que era chamada
Pelo leão; cedia a quem tinha morada
No peito, qual madeira em carvão transformada!
Eu descia ao jardim das nogueiras, alada,
[3]
Para pôr, junto ao rio, às plantas a mirada...

Se eu Te escondia a graça, estando no terraço,
Era para que não me vissem o regaço!
Nas mirtas frescas, Ele escondeu os Seus passos:
Sendo todo avidez e entregue ao Seu querer,
Se a vinha floresceu, anseia Ele por ver

E se da romãzeira os botões vão nascer![4]


NOTAS


[1] Cântico dos Cânticos, 4, 3.[2] Ibidem, 6, 10.[3] Ibidem, 6, 11.[4] Ibidem, 7, 13.


Tradução de Renata M. P. Cordeiro

3 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

07/05/14, ENCANTAVAS-ME, IRMÃ,..., POEMA DE LÉVI IBN MAR SHAUL (Século XI).
Renata Cordeiro

São disse...

Belissimo poema, que no entanto não me parece ter nada de religioso ( o Cãntico dos Cânticos, está integrado na Bìblia, não é?)

Rilando V , boa escolha.


Grato abraço por estes tão lindos momentos, minha amiga

Elvira Carvalho disse...

Não conhecia.Obrigada pela partilha.
Também não conhecia o tenor. Ultimamente não tenho ouvido muita música.
Um abraço e bom Domingo