domingo, 4 de maio de 2014

VOLÚPIA, SONETO DE FLORBELA ESPANCA



VOLÚPIA, SONETO DE FLORBELA ESPANCA
 
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
 
A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
 
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
 
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

5 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

04/05/14, VOLÚPIA, SONETO DE FLORBELA ESPANCA.
Renata Cordeiro

São disse...

Fabulosa dupla essa !

Florbela, tão sofrida...

Minha querida, feliz semana

Evanir disse...

Com muito carinho mesmo atrasada
venho te deixar um abraço pelo dia das mães.
Uma abençoada semana beijos meus.
Evanir.

Patrícia Pinna disse...

Bom dia, Renata. É muito difícil de se errar, colocando em postagem um soneto de Florbela Espanca.
Alma tão intensa, mórbida até, mas como ninguém traduziu amor e dor!
Beijos na alma e linda semana de paz!

Malu Silva disse...

Gostei muito e voltarei mais vezes...
A poesia sempre encanta!!