domingo, 18 de maio de 2014

CORRIDINHO, POEMA DE ADÉLIA PRADO



CORRIDINHO, POEMA DE ADÉLIA PRADO

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

18/05/14, CORRIDINHO, POEMA DE ADÉLIA PRADO.
Renata Cordeiro

M D Roque disse...

Viva!
Hoje tive um tempinho extra, para poder ler e comentar como deve de ser.
Normalmente uso o G+1 para marcar presença, mas nem sempre me satisfaz.
É um privilégio ler escritos bons, e eu vou tentar ser mais presente.
Abraços e beijos. D

http://acontarvindodoceu.blogspot.pt

Daniel Costa disse...

Renata

Bonito e interessante poema, li de modo lento, mas lido depois de corrida, resultou mesmo em corridinho.
Beijos

Gaja Maria disse...

Lindo poema, como sempre :)