sexta-feira, 25 de abril de 2014

NOITE DE INSÔNIA, POEMA DE EMÍLIO DE MENEZES



NOITE DE INSÔNIA, POEMA DE EMÍLIO DE MENEZES

Este leito que é o meu, que é o teu, que é o nosso leito,
Onde este grande amor floriu, sincero e justo,
E unimos, ambos nós, o peito contra o peito,
Ambos cheios de anelo e ambos cheios de susto;

Este leito que aí está revolto assim, desfeito,
Onde humilde beijei teus pés, as mãos, o busto,
Na ausência do teu corpo a que ele estava afeito,
Mudou-se, para mim, num leito, de Procusto!...

Louco e só! Desvairado! – A noite vai sem termo
E estendendo, lá fora, as sombras augurais,
Envolve a Natureza e penetra o meu ermo.

E mal julgas talvez, quando, acaso, te vais,
Quanto me punge e corta o coração enfermo
Este horrível temor de que não voltes mais!...

4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

25/04/14, NOITE DE INSÔNIA, POEMA DE EMÍLIO DE MENEZES.
Renata Cordeiro

Blue disse...

E muitos dos enamorados
tem noites assim de insônia
causados pelo amor desfeito
temendo que jamais volte!

Beijo

Daniel Costa disse...

Querida Renata

O desvario da espera, poderá tonar mesmo a noite de insónia, aqui foi a poesia que terá feito o desvio.
Temos porém de, convir que o soneto é uma pérola.
Beijos

Elvira Carvalho disse...

A insónia por amor é uma insónia abençoada.
Gostei do poema.
Um abraço e bom fim de semana