quarta-feira, 16 de abril de 2014

HAICAIS, DE BASHÔ (1644-1694)




HAICAIS, DE BASHÔ (1644-1694)


Junto ao velho lago
Uma rã a preparar-se
E ploc dentro d´água

Catarata límpida
Nas vagas imaculadas
Lua do estio brilha

Desperta, desperta,
Tu serás a minha amiga
Feliz mariposa.

Ninguém, ninguém toma
Este caminho, a não ser
O sol-pôr do outono

Passa a primavera
As aves choram, são lágrimas
Os olhos dos peixes

Vem vento do rio
Com quimono de verão
Frescura da noite

Montes e jardins
Vão entrando nas moradas
Durante o verão

Retiro de inverno
Em cima do biombo d´ouro
Envelhecem pinhos

Crisântemos sempre,
Etéreos, adquirem corpo
Depois da tormenta

Eis um rouxinol
Atrás daquele chorão
Frente ao matagal.

Aroma de ameixa
E na hora o sol desponta

Caminho do monte


 tradução minha, Renata Cordeiro



4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

16?04/14, HAICAIS, DE BASHÔ (1644-1694).
Renata Cordeiro

Daniel Costa disse...

Quem mais saberia traduzir o haicai, ou HAICAIS, DE BASHÔ (1644-1694),senão tu?
Amei!
Beijos

Lídia Borges disse...


Este formato resulta muito bem. É necessária uma sensibilidade especial para que se tornem pequenas/grandes preciosidades, como estas.

Um beijo

Blue disse...

Só mesmo tu Renata
para abrir caminhos
que nos façam conhecer
este poeta japonês!

Beijo