terça-feira, 1 de abril de 2014

EU SOU TREZENTOS..., POEMA DE MÁRIO DE ANDRADE



EU SOU TREZENTOS..., POEMA DE MÁRIO DE ANDRADE

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pirineus! ôh caiçaras!
Se um deus morrer, irei ao Piauí buscar outro!

Abraço no meu leito as milhores palavras,
E os suspiros que dou são violinos alheios;
E piso a terra como quem descobre a furto
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
Mas um dia afinal eu toparei comigo...
Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo.



5 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

01/04/14, EU SOU TREZENTOS..., POEMA DE MÁRIO DE ANDRADE.
Renata Cordeiro

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

Daniel Costa disse...

Querida Renata, desconhecia de todo, o magnífico poema de Mário de Andrade. Maravilha!
Bom fazer a leitura com esta música de fundo a acompanhar,
Beijos

São disse...

"Se um deus morrer...", não, não morrem: tomam outro nome, só isso.

Me sinto envergonhada , só aqui conheci a (boa) música deste duo português.

Minha querida, bem haja!

Rafael Castellar das Neves disse...

Ótima sugestão, Renata! Gostei!