terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIAS





O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIAS



Natália Correia




De amor nada mais resta que um Outubro



e quanto mais amada mais desisto:



quanto mais tu me despes mais me cubro



e quanto mais me escondo mais me avisto.





E sei que mais te enleio e te deslumbro



porque se mais me ofusco mais existo.



Por dentro me ilumino, sol oculto,



por fora te ajoelho, corpo místico.





Não me acordes. Estou morta na quermesse



dos teus beijos. Etérea, a minha espécie



nem teus zelos amantes a demovem.





Mas quanto mais em nuvem me desfaço



mais de terra e de fogo é o abraço



com que na carne queres reter-me jovem.



Belas Mulheres



12 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Terça-feira 09/02/10 O Sol nas Noites e o Luar nos Dias.
Marta + Renata

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Vamos apreciar este divino Natália Correia + O Sonho Americano dos maravilhosos Dead Can Dance*****
As conexões hoje são por vossa conta.
Beijos mil e continuação Boa de Semana com Paz e Amor Sempre*******

Daniel Costa disse...

Renata

Que agradável que é ler poesia de Natália Corrreia, cujo porte de mulher também admirava. Almoçei variadas vezes no mesmo restaurante, numa mesa ao lado, na Trindade. Ocorreu-me breve voltar lá numa romagem de saudade ao restaurante e à lembrança da poetisa.
Beijos
Daniel

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Obrigada querido Daniel. Mas é sempre bom assistir ao vídeo. Ver visões de mundo distintas? A leitura +++++++**********
Beijos com muito Amor. Só um toque

Marta disse...

Um poema forte....Nada está morto..
Continua tudo vivo...
Gostei muito
Beijos e abraços
Marta

Wanderley Elian Lima disse...

OLá Renata
Lindos, poema e video. Adorei
Beijos

Nilson Barcelli disse...

Uma excelente escolha.
O poema é soberbo (não conhecia).
A ilustração, a preceito...
Querida amiga, obrigado pela partilha.
Um beijo.

prosasdeoutono disse...

Amiga Renata,

A poesia de Natália tem uma força enorme em cada verso, que se lê uma, duas..muitas vezes, por gosto

Beijinhos
Alex

José disse...

Olá querida Renata

Esta noite de lua cheia
sopra fresca suave brisa
recorde Natália Correia
como deputada e poetisa

José

Mãe ilha

Limão aceso na mea-noite ilhada
o relógio na torre Matriz
põe o ponteiro na hora atraiçoada
da ilha que me deram e eu não quis

Mas ó de alvos umbrais Ponta Delgada!
meu prefixo de pastos,a raiz
é de calhaus e de onda encabritado
um triz de hortênsia e estala-me o verniz

Atamancada em fama a tosca ilhoa
só na praça e no prelo é de Lisboa
seu gesto cãibra de garça imterrompida

No mais o osso campesino e duro
é fervor, é fogo e fé que juro
ao lume e às flores da graça recebida

Natália Correia


um beijinho

JORDAS disse...

Por dentro me ilumino, sol oculto,
Esta poetisa tinha a alma vulcânica dos Açores,
E a verticalidade do basalto.
Muito a admiro como poetisa e mulher de convicções políticas.
Crítica duma sociedade de fachada.
Aqui deixo um poema que admiro e leio muitas vezes.
Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"

Alvaro Oliveira disse...

Amiga RENATA

Muito belo este poema!
forte e untenso em cada um de seus
versos, muito sentido.

Uma linda semana para si amiga

Beijinhos

Alvaro

~~jorge disse...

...um dos mais claro-escuros poemas de Natália... e uma das mais belas canções dos dcd... bela escolha, muito a meu gosto... poemas não totalmente desesperados, não, isso nunca... i need my conscience to keep watch over me, to protect me from myself...