quarta-feira, 14 de outubro de 2009

DOR DE ALMA, UM POEMA DE ANTÓNIO GEDEÃO




DOR DE ALMA

António Gedeão


Meu pratinho de arroz doce

polvilhado de canela;

Era bom, mas acabou-se

desde que a vida me trouxe

outros cuidados com ela.

Eu, infante, não sabia

as mágoas que a vida tem.

Ingenuamente sorria,

me aninhava e adormecia

no colo de minha Mãe.

Soube depois que há no mundo

umas tantas criaturas

que vivem num charco imundo

arrancando arroz do fundo

de pestilentas planuras.

Um sol de arestas pastosas

cobre-os de cinza e de azebre

à flor das águas lodosas,

eclodindo em capciosas

intermitências de febre.

Já não tenho o teu engodo.

Ó mãe, nem desejo tê-lo.

Prefiro o charco e o lodo.

Quero o sofrimento todo,

Quero senti-lo, e vencê-lo.


7 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Ótima postagem, Martinha! Linda! Parabéns!
Beijos,

Andresa disse...

Amiga Renata
Linda Postagem, parabens
Bjs
Andresa

Marta disse...

Um poema lindo que merece este tipo de destaque...
Beijos e abraços
Marta

Daniel Costa disse...

Marta

Reler Antonio Gedeão, é ter a agradabilidade de ler um interessante poema e que a bloguista que o postou, teve uma boa opção.

Beijos,
Daniel

Luciana disse...

Parabéns a Marta pelo poema.
Bjs

Graça disse...

Tenho a obra toda de António Gedeão... um Poeta_Professor que eu adoro.

Beijo para as duas.

Vivian disse...

...Antonio Gedeão me encanta
e me alegra como um
pratinho de arroz doce...

em meus tempos de menina
quando o dinheiro era pouco,
arroz doce na panela,
nos tirava do sufoco...

um beijo!