domingo, 6 de setembro de 2009

TERNURA, POEMA DE DAVID MOURÃO-FERREIRA (1917-1996)

TERNURA
David Mourão-Ferreira (1917-1996)

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
de frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!



3 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Publico, aqui este poema de David Mourão-Ferreira, pois além de gostar muito do autor, gosto muito do poema, que figura numa antologia que organizei.
Renata Cordeiro

Graça disse...

Adorei tudo, minha amiga! Tanto! Fui aluna do David Mourão Ferreira. Uma honra para nunca mais esquecer. E os seus poemas são todos de uma beleza, que só um homem com aquela sensibilidade escreveria.

Quanto ao vídeo, como sabe, é uma das músicas da minha vida. Adorei quando um dia traduziu a letra. Agora vou ficar por aqui a ouvir.

Beijo imenso de carinho.

Daniel Costa disse...

Renata

É muito belo o poema de David Mourão Ferreira, que fizeste bem trazer, uma vez ser um bom poeta de língua portuguesa. Cusiosamente, já no ocaso da vida esceveu o seu único livro de prosa.
Gostei bastante!

Beijos,
Daniel