quinta-feira, 10 de setembro de 2009

RESGATE, UM POEMA DE PEDRO HOMEM DE MELLO


Pedro Homem de Mello

Portugal[1904-1984]


Não sou isto nem aquilo



É o meu modo de viver


É, às vezes, tão tranquilo


Que nem chega a dar prazer...


Todavia, onde apareço,


Logo a paz desaparece


E a guerra que não mereço


Dá princípio à minha prece.


És alegre? Vês-me triste?


Por que não te vais embora?


Quem é triste é porque é triste.


E quem chora é porque chora.


Tenho tudo o que não tens


Tenho a névoa por remate.


Sou da raça desses cães


Em que toda a gente bate.


Só a idade com o tempo


Há-de vir tornar-me forte.


A uns, basta-lhes o vento...


Aos Poetas, basta a morte.

Foto de Bricehardelon "Powder 3"

2 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Forte, fúria incontida...
Gostei muito, Marta. Ótima escolha!
Beijos,
Renata Maria

Mariana disse...

Descobri o teu blog, fiz uma visita prolongada e gostei muito.