quarta-feira, 9 de setembro de 2009

DO DESEJO, UM POEMA DE HILDA HILST


E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Foto de Helder Mendes

3 comentários:

Vivian disse...

...já dizia Manuel Bandeira:

Arte de amar

Se queres sentir a felicidade
de amar, esquece a tua alma.

A alma é o que estraga
o amor.

Só em Deus ela pode encontrar
satisfação.

Não noutra alma.

Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo estender-se
com outro corpo.

Porque os corpos se entendem,
mas as almas não.

beijos ternos!

~~jorge disse...

Marta,

Bela escolha fez, o poema.

Se eu pudesse tomar a beleza do poema, rejeitando-lhe a sabedoria...
Ele tem decerto suas raizes numa sabedoria... a de colher a alegria possível, a de não trocar o eros próximo por algum incerta luz...

Seria errado que ao poema, eu respondesse :
Porque se não trouxeres tua alma a minha cama, tudo o trazes já o esqueci antes que o ofertasses...?

Digo eu, que não sou sábio... nem poeta.


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Beijo
--j

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Marta:
Sua escolha foi 10! Parabéns!
Beijos,
Renata