quarta-feira, 12 de agosto de 2009

À NOITE, SONETO DE FRANCISCA JÚLIA DE SILVA MUNSTER (1874-1920)

O Gelo flutua sob o Sol da Meia-noite, William Bradford (1823-1892)

À NOITE
Francisca Júlia de Silva Munster (1874-1920)

Eis-me a pensar, enquanto a noite envolve a terra;
Olhos fitos no vácuo, a amiga pena em pouso,
Eis-me, pois a pensar... De antro em antro, de serra
Em serra, ecoa, longo, um requiem doloroso.

No alto uma estrela triste as pálpebras descerra,
Lançando, noite dentro, o claro olhar piedoso.
A alma das sombras dorme; e pelos ares erra
Um mórbido langor de calma e de repouso...

Em noite assim, de repouso e calma,
É que a alma vive e a dor exulta, ambas unidas,
A alma cheia de dor, a dor cheia de alma...

É que a alma se abandona ao sabor dos enganos,
Antegozando já quimeras pressentidas
Que mais tarde hão de vir com o decorrer dos anos.

4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Um soneto de Francisca Júlia, poetisa não desconhecida, mas amiúde esquecida, e que se destaca no Panorama da Poesia Brasileira pelo seu perfeito domínio em compor sonetos em versos alexandrinos.
Renata Cordeiro

Vieira Calado disse...

tanta gente que, no passado, escrevia bem!

Obrigado pela mostra.

Daniel Costa disse...

Renata

Bom poema, arauto de verdades, o sonho de hoje é a quimera a ser procurada com esmero, o que produzirá uma realidade
saborosa, muito nossa.

Beijinhos,
Daniel

Marta disse...

Não conhecia, Renata...Poema suave, mas triste...
A noite pode ser muito longa e muito só..
Beijos e abraços
Marta