sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DO AMOR, LIV, POEMA DE HILDA HILST (1930-2004)


DO AMOR
Hilda Hilst (1930-2004)

LIV

Se te ausentas há paredes em mim.
Friez de ruas duras
E um desvanecimento trêmulo de avencas.
Então me amas? te pões a perguntar.
E eu repito que há paredes, friez
Há molimentos, e nem por isso há chama.
DESEJO é um Todo lustroso de carícias
Uma boca sem forma, um Caracol de Fogo.
DESEJO é uma palavra com a vivez do sangue
E outra com a ferocidade de Um só Amante.
DESEJO é Outro. Voragem que me habita.




4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Publico um poema de Hilda Hilst, grande escritora, não só poetisa, brasileira, que só foi realmente valorizada depois que morreu.
Renata Cordeiro

Luci@n@ disse...

Não conhecia a autora mas é bom vir aqui e aprender mais.
Bjinhos

Marta disse...

Acontece e no entanto, contribuem para a vida cultural do país.
Uma injustiça...
Gostei muito do poema...
Beijos e abraços
Marta

Daniel Costa disse...

Renata

Um poema paradigma do aroma da sensualidade, uma chama sempre acesa.
Aprecia-se sempre.
Beijos
Daniel