terça-feira, 14 de julho de 2009

VIVER, UM POEMA DE CARLOS DRUMOND DE ANDRADE


Viver



Mas era apenas isso,

era isso, mais nada?

Era só a batida

numa porta fechada?



E ninguém respondendo,

nenhum gesto de abrir:

era, sem fechadura,

uma chave perdida?



Isso, ou menos que isso

uma noção de porta,

o projecto de abri-la

sem haver outro lado?



O projecto de escuta

à procura de som?

O responder que oferta

o dom de uma recusa?



Como viver o mundo

em termos de esperança?

E que palavra é essa

que a vida não alcança?

(Foto "Beloved Mountains" Bruno Alves, Olhares.Com)

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Muito bonito este "VIVER" de Carlos Drumond de Andrade, o poeta que proclama a liberdade das palavras esquecendo as convenções tradicionais.

Um beijo

sagitario disse...

ol+a Marta,
boa escolha, gosto muito do autor e hoje estive a ver um poema dele que irei publicar, mas agora fica o seu para as pessoas apreciarem,
um abraço