segunda-feira, 27 de julho de 2009

VIOLÕES QUE CHORAM, POEMA DE CRUZ E SOUZA



VIOLÕES QUE CHORAM
Cruz e Souza

Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
bocas murmurejantes de lamento.

Noites de além, remotas, que eu recordo,
noites de solidão, noites remotas
que nos azuis das Fantasias bordo,
vou constelando de visões ignotas.

Sutis palpitações à luz da lua
anseio dos momentos mais saudosos,
quando lá choram na deserta rua
as cordas vivas dos violões chorosos.

Quando os sons dos violões vão soluçando,
quando os sons dos violões nas cordas gemem,
e vão dilacerando e deliciando,
rasgando as almas que nas sombras tremem.

Harmonias que pungem, que laceram,
dedos nervosos e ágeis que percorrem
cordas e um mundo de dolências geram,
gemidos, prantos, que no espaço morrem...

E sons soturnos, suspiradas mágoas,
mágoas amargas e melancolias,
no sussurro monótono das águas,
noturnamente, entre ramagens frias.

Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

5 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Minhas amigas, por hoje estou de volta. Estou bem e sinto falta do Blog. Vocês são ótimas, fazem tudo tão bem feito e escolhem muito bem. Só tenho que lhes agradecer. Publiquei este lindíssimo poema de Cruz e Souza, tão representativo do Simbolismo brasileiro, e tão esquecido.
Beijos,
Renata

Vieira Calado disse...

E ao ler a sua tradução de Verlaine

entendo o seu grande amor à poesia!

Bjs

If Only disse...

Que bom que tu voltou Rê para apreciar essas maravilhosas traduções.
Bjs

~~jorge disse...

Bel�ssimo poema este, musical at� doer... me evoca [can't help!] estoutro, de C. Pessanha:

"Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...

De que esvoa�am,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despeda�am,
No rio, os barcos.

Fundas, solu�am
Caudais de choro...
Que ru�nas, (ou�am)!
Se se debru�am,
Que sorvedouro!...

Tr�mulos astros...
Soid�es lacustres...
�: Lemes e mastros...
E os alabastros
Dos bala�stres!

Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
� Chorai arcadas,
Despeda�adas,
Do violoncelo."

---

Beijo, Nanata
--j

Marta disse...

É lindo, Renata..
Não conhecia, mas este poema é uma beleza aveludada...
Beijos e abraços
Marta