quinta-feira, 2 de julho de 2009

UM POEMA DE MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA


Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.

(Livro "Nenhum Nome Depois")
(Foto "No Alto há paz" Fátima Joaquim, Olhares.Com)

4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Que bonito, Marta, não conhecia.
Renata

Lídia Borges disse...

Lindo! Cheio de uma ternura morna de quem não quer esquece.


Um beijo

Graça disse...

Gostei muito... mas a Marta já nos habituou a estas boas escolhas.



Beijos meus

Luciana disse...

Parabéns a Marta pela bela escolha aqui acabo conhecendo outros poetas.
Bjinhos