quinta-feira, 9 de julho de 2009

SONETO, UM POEMA DE JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS


Soneto  
Fecham-se os dedos donde corre a esperança, 
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
 Porquê esperar, porquê, se não se alcança 
Mais do que a angústia que nos é devida?  
Antes aproveitar a nossa herança 
De intenções e palavras proibidas. 
Antes rirmos do anjo, cuja lança
 Nos expulsa da terra prometida.  
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
 Antes o olhar que peca, a mão que rouba, 
O gesto que estrangula, a voz que grita. 
 Antes viver do que morrer no pasmo 
Do nada que nos surge e nos devora, 
 Do monstro que inventámos e nos fita.              
José Carlos Ary dos Santos  

(Foto "Reflexo" Alexander Kharlamov, Olhares)

3 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Belíssimo soneto, Marta!

Pjsoueu disse...

Marta...

Este soneto à semelhança de outros poemas do poeta, José Carlos Ary dos santos é cheio de uma energia absorvente de sentimentos poderosos..

beijos . gosto de aqui estar:)

Pj

DARIA disse...

Gostei muito