sexta-feira, 31 de julho de 2009

SONETO DE RENATO DA CUNHA (1869-1901)

Passeio sob neve,  J. J. J. Tissot(1836-1902)

SONETO
Renato da Cunha (1869-1901)

A noite era profunda. A neve borrifava
com pontas de punhais as pedras das calçadas.
Nos páramos do céu a luz deslizava
formosa auribordando as nuvens descoradas.

O vento minuano, um vento penetrante,
fazia tremular os lampiões sombrios;
deitados pelo solo em bando agonizante
uivavam tristemente uns doze cães vadios.

As lindas cortesãs, envoltas em arminhos,
nos fofos dos coupés, como rolas em seus ninhos,
saíam dos bordéis cansadas das vigílias.

E nas mesas do jogo os velhos crapulosos
davam ao baccara, febrentos, sequiosos,
os últimos ceitis roubados às famílias.

4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Outro soneto que levo a público, já que é desconhecido.
Renata Cordeiro

Pjsoueu disse...

Renata...

Obrigado plo "Serviço Publico" prestado desta forma, divulgando Cultura:)

Não conhecia este soneto..Gostei

bjos
Pj

If Only disse...

Não conhecia nem o soneto e nem o autor.
Bjs

Graça disse...

Um soneto que me lembrou o gosto dos românticos... gostei.


Beijo daqui, querida Renata