sexta-feira, 3 de julho de 2009

A SEREIA E O PESCADOR (EXCERTO), POEMA DE BERNARDO GUIMARÃES



A SEREIA E O PESCADOR

Bernardo Guimarães


BALATA


C'est la sirene,
Qui va chanter
La cantilene,
Qui fait aimer.


SEREIA:


Viver aqui eu não posso
Nem no vale, nem na serra;
Eu não sou filha da terra,
Eu sou sereia do mar.
Correi, ondas, brandamente,
Correi, vinde me buscar.
Nasci no seio das vagas,
Numa gruta de cristal;
Em colunas de coral
O meu berço se embalou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu desta terra não sou.
O amor criou-me entre pérolas
Sobre fúlgidas areias,
Mago canto de sereias
Meus sonos acalentou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu também sereia sou.
Eu não sou filha da terra,
Vivo triste nestas plagas;
Embalada sobre as vagas,
Só no mar quero viver.
Correi, vinde, ó minhas ondas.
A meus pés vinde gemer,
No regaço cristalino
Brandamente me tomai;
Aos plácios de meu pai
Vinde, vinde me levar.
Correi, ondas, pressurosas,
Levai a filha do mar.
E se alguém na terra ingrata
Sentindo loucos amores,
Meus encantos e favores
Insensato desejar,
Em torno a mim,
bravas ondas,
Vinde em fúria rebentar.
Em solitário rochedo,
Batido pelas tormentas,
Ide, ó ondas turbulentas,
Ide longe me ocultar.
Rugindo ali noite e dia,
Guardai a filha do mar.
Sentada ao pé de um rochedo,
Com os pés na branca areia,
Assim cantava a sereia
A linda filha do mar.
E a onda mansa, gemendo,
Os pés lhe vinha beijar.
Pescador, que além vogava,
No seu batel escondido,
Absorto prestava ouvido
A tão saudoso cantar,
E a vela e o remo esquecia
Ouvindo a filha do mar.


***

O AMOR VEIO ATÉ MIM

Rita Coolidge


Um belo dia
O amor veio até mim
Quando o amor era raro
Como o amor pode ser
Vi estrelas
Brilhando no azul e claro céu
Flutuamos juntos
Pela primeira vez e para sempre
O amor veio até mim
Uma linda noite
O amor nos deixou ver
Quão longe estaremos
Quão bem estaremos
Vimos um mundo
Que ninguém jamais vira antes
Era o mundo
Onde o amor pode começar
Com o ritmo do coração


CANÇÃO-TEMA DO FILME SPLASH, UMA SEREIA EM MINHA VIDA



TRADUÇÃO DE RENATA CORDEIRO


7 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Escolhi este poema de Bernardo Guimarães por ser hoje o tema de duas postagens em dois Blogs meus:
FEMININA:
http://blogrenatafeminina.blogspot.com
E
O QUE ME DER NA TELHA:
http://renata-oquemedernatelha.blogspot.com

Publiquei apenas um excerto porque o poema é deveras longo.
Renata Cordeiro

CINDERELA disse...

Epidemia de sereia? Mas tá lindo!
Beijo
CINdi

FLORES E AMORES disse...

sereia lindo

MARIA disse...

Muito lindo, Rê

UM POR DIA disse...

Lindíssimo, tão completo.
Boa noite, Rê

Luciana disse...

Lindo mesmo Rê.
Bjs

Daniel Costa disse...

Renata

Fequei agarradinho de todo ao poema Sereia, de facto achei-o o máximo. Fixei o nome do seu poeta Bernardo Guimarães, se bem bem que também apreciei o da Rita Coolidge, de tua tradução.
De facto, os poetas têm sempre algo para me dizerem.
Engraçado, que o meu poema de ontem, também disignei por Sereia.
Em jeito de desabafo, tinha escrito um outro poema de que gostava. Por descuido apaguei completamente.
Espero voltar a compôr o tema!
Beijinho,
Daniel