sábado, 4 de julho de 2009

SALOMÉ, POEMA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO



SALOMÉ
Mário de Sá-Carneiro





Insônia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se pra mim num espasmo de segredo...

Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro!... A minha Alma parou...
E o seu corpo resvala a projetar estátuas...

Ela chama-me em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:

Mordoura-se a chorar – há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...



3 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Publiquei este poema porque traduzdi a SALOMÉ de Oscar Wilde, do original francês, e fiz um apendêncie em que pus vários poemas rederantes ao tema, e este era o único em português. E também porque aprecio muito a poesia de Mário de Sá-Carneiro.
Renata Cordeiro

CINDERELA disse...

É do teu trabalho, lido...
BEIJOS DA CINDI

FLORES E AMORES disse...

me ensina tanto
CORES:))