quarta-feira, 8 de julho de 2009

QUANDO EU... POEMA DE ALBERTO CAEIRO (FERNANDO PESSOA)



QUANDO EU...
Alberto Caeiro

Quando eu não te tinha, amava a
Natureza como um monge calmo a Cristo
Agora amo a Natureza como um
monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo,
como dantes,
Mas de outra maneira mais
comovida e próxima...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
pelos campos até a beira dos rios;
Sentado ao teu lado reparando
nas nuvens
Reparo nelas melhor...
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu mudaste a Natureza
Trouxeste-me a Natureza para
o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor,
mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo
modo, mas mais,
por tu me escolheres para te
ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais
demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que
fui outrora
Porque ainda sou.

4 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Escolhi Alberto Caeiro, que nunca foi meu heterônimo preferido de Fernando Pessoa, porque hoje é. Talvez seja fruto do amadurecimento. Além do mais é um poema deveras bonito.
Renata Cordeiro

Marta disse...

Boa escolha, Renata...
Gostei imenso..
Beijos e abraços
Marta

Graça disse...

Todos os poemas de Alberto Caeiro são lindos, dentro da sua poesia pelas sensações... eu também gosto, aliás não era por acaso que o seu criador lhe chamava Mestre.



Beijos meus, querida Renata

Luciana disse...

Não conheço o poeta mas gostei do poema.
Rê me diz uma coisa qual a diferença entre poema e poesia eu nunca sei, tu podia colocar em um dos teus Blogs qual a diferença de um para o outro.
Bjs