terça-feira, 28 de julho de 2009

O PODER DAS LÁGRIMAS, SONETO DE LUIZ BARRETO MURAT (1861-1929)


O PODER DAS LÁGRIMAS
Luiz Barreto Murat (1861-1929)



Com que saudade para o céu não olhas,
Vendo de nuvens todo o céu coberto,
E engastadas de pérolas as folhas
E o coração das árvores deserto.

Como uma grande rosa, a alma desfolhas
Dentro do seio, inteiramente aberto,
E esses restos de flor passando molhas
N´água do arroio que coleia perto!

Molha-as, sim, nesta linfa algente e casta!
Que uma só gota cristalina basta
Para o calor em chuva ir transformando.

Hás de ficar com olhos rasos d´água,
A dor há de acalmar que a própria mágoa
Tem dó de ver uma mulher chorando.

5 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Queridas amigas, publiquei este poema, em primeiro lugar, em homenagem às duas porque vcs têm sido muito compreensivas comigo.
Em segundo lugar, porque se trata de um poema desconhecido no Brasil, que dirá no exterior.
Marta, Ana, a vocês o meu tributo e agradecimento.
Beijos,
Renata

If Only disse...

Rê lindo poema amiga e parabéns as 3 pelo lindo blog.
Bjs

Daniel Costa disse...

Renata

Poema belo!... Curiosamente, a minha sensibilitade não deixa de se emocionar quando observa o choro de uma mulher.
Virá à tona um eterno romantismo que, nestes tempos, nem será muito compreendido.
Beijinhos
Daniel
Daniel

Mariazita disse...

Querida Renata
Sequer a mágoa gosta de ver uma mulher chorar...
Lindíssimo poema, e um óptimo blog.
Parabéns às suas autoras, já que se trata de um blog colectivo.

Um grande beijinho, querida amiga.

Mariazita

Graça disse...

Gosto de sonetos e este é muito bonito. De facto, como diz no seu comentário, não deve ser muito conhecido. Obrigada pela partilha.


Um beijo minha amiga e fique bem.