quinta-feira, 23 de julho de 2009

MULHERES QUIOCAS, POEMA DE DANIEL COSTA



MULHERES QUIOCAS

Interessantes as mulheres quiocas
Estão na Província angolana da Lunda
Bonitas, como poucas
Vivem na fronteira com o Zaire
Zona diamantífera de histórias loucas
Usual e habitual a poligamia
Labutam no campo, como poucas
Quando perdem o cabaço
Com o homem amado, ficam taralhoucas
Pintam de branco o seu corpo
Fica belo e alvo enquanto tisnado
Como quem diz olhem: já pertenço a alguém
O rico como polígamo
Estima-se pelas mulheres que tem no harém
Na margem do rio Luachimo
É feito o casamento
Por negociações,
Designa-se alambamento
Aconteceu um dia
Como gado não havia naquele momento
Reunira-se os anciões
Para se efectivar um casamento
Funcionariam muitos tostões
Foi apenas uma observação
Não passava disso, de início de serões
Conferenciavam na sua língua
Teciam: a miúda é bonita
Ainda tem cabaço
Vale, um homem de bens
Valorizavam, faltava apenas o laço
Genarié?
A menina ainda tem cabaço!
Mata… ai ué!

Em quioco:
Cabaço = virgindade
Genarié? = Como se chama?
Mata = senhor
Ai ué = ai Jesus

Daniel Costa

2 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Mais uma vez, não poderia deixar de publicar um belíssimo poema do nosso irmão blogueiro Daniel Costa.
RENATA CORDEIRO

Daniel Costa disse...

Renata

Às 4h30, madrugada também em Lisboa, já estava erguido e teclando.
Sempre homem de adorar a madrugada, à quando o minha mente funciona melhor.
Hábitos, no caso fisiológicos, à parte acertaste em cheio na ilustração. Pude, realmente, rever a bonita mulher quioca!
Se a palavra gratidão, para mim nunca foi vã, maior razão para seres digna dela.
Beijos,
Daniel