segunda-feira, 27 de julho de 2009

Edvard Grieg: Dança da Anitra, de Peer Gynt, um poema de Amadeu Baptista


Estou perdido entre uma sombra

e uma amendoeira,

mas estar perdido não significa

não conhecer a beleza do que passa

no instante em que passas

ou estar mais próximo da desolação

neste vestígio antiquíssimo da desolação.

A sombra de que falo

vem de um lugar onde o coração

está próximo,

de um lugar onde a inocência pulsa ainda

sob a terra,

de um lugar onde os lábios pronunciam

a subtileza de um nome

com o teu nome.

Porque tu és essa ave

que o vento reconhece e agita

o coração,

a árvore branca e poderosa

a que os pássaros regressam,

a árvore que cintila na escuridão

e pelo subtil estremecimento da noite é o último refúgio

de quem se encontra perdido

entre a sombra de uma amendoeira

com o teu nome,

algures no mundo,

neste vestígio antiquíssimo da desolação.

(Livro "O Bosque Cintilante)

(Foto "Caminhando sobre a Luz" Fernando Dias, Olhares.Com)

Um comentário:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Que poema lindo! Conhecia a história, mas não recontada de maneira tão bela, gostei muito mesmo.
Beijos, querida,
Renata