domingo, 12 de julho de 2009

ALMA SERENA, UM POEMA DE FERNANDA DE CASTRO


Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.
Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.
Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.
Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"
(Foto "After the escape of the Sun" Francisco Mendes, Olhares)

Um comentário:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Eu não conhecia e fiquei conhecendo por vc, Marta.
Obrigada,
Renata