terça-feira, 23 de junho de 2009

PLANO, UM POEMA DE NUNO JÚDICE


Plano

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

(Imagem cedida pela Renata)

2 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Belíssimo poema! Sempre achei que os portugueses são os maiores poetas do mundo.
Um beijo, Marta,
Renata

Luciana disse...

Imagem e poema muito bonitos.Bjs