sábado, 20 de junho de 2009

LÁGRIMAS OCULTAS, POEMA DE FLORBELA ESPANCA


LÁGRIMAS OCULTAS
Florbela Espanca

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

3 comentários:

Graça disse...

Sempre magnífica e sofrida Florbela... uma das minhas poetisas...



Um beijo poético, querida Renata

Luciana disse...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Parte triste mas profunda gostei amiga.
Bjinhos

Pelos caminhos da vida. disse...

Parabéns Sandra por mais esse canto que é um encanto poético.

Um lindo domingo pra vc.

beijooo.