sábado, 27 de junho de 2009

IRONIA DO MAR, POEMA DE GILKA MACHADO


IRONIA DO MAR

Gilka Machado



Soa um grito de dor... e o detono de uma onda,
Como uma salva, atroa e repercute, pelos
Longes do ar... De onde veio a voz o ouvido sonda
E, em vão, busco escutar do náufrago os apelos.

E o truculento Mar sinistramente estronda,
Ruge, regouga, rola, espuma, em rodopelos,
E, talvez, porque, agora, almo tesouro esconda,
Cada vez mais feroz se arrepia de zelos.

Para a presa reter, muralhas de esmeralda
Ergue, e, num riso atroz de realizado gozo,
Veste-a de rendas mil, de flores a ingrinalda;

Move a cabeça informe, as longas cãs balança,
E, alçando a larga mão, num gesto vitorioso,
Mostra, cinicamente, um cadáver de criança.

5 comentários:

FLORES E AMORES disse...

naõ conheco o poeta

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Resolvi publicar esse poema de Gilka Machado, primeiro porque gosto muito desse soento, segundo porque poucos brasileiros conhecem a poetisa, e, terceiro, se os brasileiros não a conhecem é muito provável que os estrangeiros tampouco a conheçam.
Renata Cordeiro

CINDERELA disse...

Você tem razão, não conheço nem o poema, nem a poeta.
Parabéns pelo trabalho,
Cindi

MARIA disse...

Belíssimo, não conhecia nada. Aqui não conheço nada.
Maria

Luciana disse...

Não conheço nem o poeta e nem o poema mas é belo.Bjs