quarta-feira, 24 de junho de 2009

DUAS ALMAS, POEMA DE ALCEU WAMOSY

Two Souls, Jaimie Cahlil

DUAS ALMAS
Alceu Wamosy (1895-1923)

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

5 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Resolvi publicar o poema de um poeta esquecido no Brasil e que não deve ser conhecido no exterior.
Renata Cordeiro

Graça disse...

Obrigada, Renata... não conheço o autor, mas já fui gostando deste soneto.



Um beijo meu, querida amiga

Luciana disse...

Lindo Rê não conheço o autor mas achei muito linda a postagem.Bjs

Marta disse...

Não, Renata, nunca li nada deste poeta...
Lindo soneto - a vida deixa de ser tão pesada, tão solitária...
Gostei muito...
Beijos e abraços
Marta

Pedrasnuas disse...

QUE MARAVILHA DE SONETO...

DUAS ALMAS QUE SE ENCONTRAM JÁ CANSADAS ,TALVEZ A MEIO DA VIDA...
ESTÃO AMBAS SOZINHAS E VÃO SE PARTILHAR UMA À OUTRA...UM CONVITE SUAVE E SIMPÁTICO DE QUEM OFERECE O SEU TECTO...COMO UM PORTO ABRIGO...
E DEPOIS DESTE CRUZAR DE CAMINHOS NADA SERÁ IGUAL...AMBOS TERÃO ALGO PARA RECORDAR E QUEM SABE SE DE NOVO ENCONTRAR...

ADOREI !!!

BEIJOS QUERIDA AMIGA RÊ