sábado, 27 de junho de 2009

BÁRBORA, POEMA DE CASTRO ALVES

The Valkirie´s Vigil, Edward R. Huges

BÁRBORA

Castro Alves (1847-1871)

Erguendo o cálix, que o xerez perfuma,
loura a trança alastrando-lhe os joelhos,
dentes níveos em lábios tão vermelhos,
como boiando em purpurina escuma;

um dorso de valquíria... alvo de bruma,
pequenos pés sob infantis artelhos,
olhos vivos, tão vivos como espelhos,
mas como eles também sem chama alguma;

garganta de um palor alabastrino,
que harmonias e músicas respira...
No lábio – um beijo... no beijar... um hino;

harpa eólia a esperar que o vento a fira
- Um pedaço de mármore divino...
- É o retrato de Bárbora – a Hetaíra.

3 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Mais um poeta brasileiro conhecido, porém esquecido. Daí a publicação.
Renata Cordeiro

CINDERELA disse...

Lindo poema de Castro Alvez

Marta disse...

Não conhecia, efectivamente..
Beijar....um hino, sim de prazer e desejo.
Gostei..
Beijos e abraços
Marta